O tumor de glomus jugular é uma neoplasia rara e complexa que se desenvolve na base do crânio, especificamente numa região chamada forame jugular. Classificado como um paraganglioma, ele se origina de pequenas células da crista neural localizadas na adventícia (camada externa) do bulbo da veia jugular. Embora a grande maioria desses tumores seja benigna (não cancerosa) e de crescimento lento, seu comportamento é considerado localmente agressivo. Isso ocorre porque eles são extremamente vascularizados — assemelhando-se a um emaranhado de vasos sanguíneos — e tendem a invadir estruturas críticas adjacentes, como o ouvido médio, o osso temporal e nervos cranianos vitais.
O sintoma mais característico e frequentemente o primeiro sinal de alerta é o zumbido pulsátil. O paciente relata ouvir o próprio batimento cardíaco dentro do ouvido, uma consequência direta da alta vascularização do tumor que altera o fluxo sanguíneo local. À medida que a lesão cresce, outros sintomas surgem devido à compressão das estruturas vizinhas. A perda auditiva condutiva (pela invasão do ouvido médio) é comum, assim como déficits nos nervos cranianos baixos, que podem resultar em rouquidão (disfonia), dificuldade para engolir (disfagia) e fraqueza nos músculos do ombro e pescoço. Em casos avançados, pode haver paralisia facial ou até mesmo compressão do tronco encefálico.
O diagnóstico preciso é fundamental e depende quase exclusivamente de exames de imagem avançados, dada a localização profunda da lesão. A Ressonância Magnética (RM) e a Tomografia Computadorizada (TC) são essenciais para delimitar a extensão do tumor e a erosão óssea característica que ele provoca no crânio. Na RM, esses tumores apresentam uma aparência clássica conhecida como “sal e pimenta”, devido à mistura de áreas de alto fluxo sanguíneo e hemorragia. A arteriografia (angiografia) também desempenha um papel crucial, não apenas para confirmar o diagnóstico visualizando a rica rede vascular que alimenta o tumor, mas também como etapa pré-operatória para embolização, visando reduzir o sangramento durante uma eventual cirurgia.
O tratamento do glomus jugular é um dos maiores desafios da otoneurocirurgia e deve ser individualizado. As opções variam desde a conduta expectante (apenas observar o crescimento em pacientes idosos com poucos sintomas) até intervenções mais agressivas. A microcirurgia para remoção total é uma opção curativa, mas carrega riscos elevados de lesão nervosa devido à complexidade anatômica. Por isso, a radiocirurgia estereotáxica (como o Gamma Knife) tem ganhado destaque como uma alternativa eficaz, visando paralisar o crescimento do tumor e preservar a função dos nervos cranianos, sendo frequentemente a escolha preferencial para tumores menores ou para pacientes que não podem ser submetidos a grandes cirurgias.