A radiocirurgia estereotáxica consolidou-se como uma modalidade terapêutica de primeira linha no manejo dos neurinomas do acústico (schwannomas vestibulares), promovendo uma mudança de paradigma no tratamento dessas lesões. Diferente da microcirurgia tradicional, cujo objetivo é a exérese física da massa, o propósito primário da radiocirurgia é o controle tumoral a longo prazo — paralisando a replicação celular e o crescimento da lesão — aliado à máxima preservação neurológica. Essa abordagem focada tem se mostrado altamente eficaz para proteger as estruturas nobres do ângulo pontocerebelar, reduzindo os riscos de paralisia do nervo facial e prolongando a preservação da função do nervo vestibulococlear.
A indicação clássica e mais frequente para a radiocirurgia baseia-se nas dimensões do tumor. O procedimento é amplamente recomendado para neurinomas de tamanho pequeno a médio, tipicamente com diâmetro máximo de até 2,5 a 3 centímetros e que não causam efeito de massa compressivo significativo sobre o tronco encefálico ou cerebelo. Além da detecção inicial, a radiocirurgia é a conduta de eleição quando a estratégia conservadora de observação (wait-and-scan) documenta o crescimento ativo da lesão em ressonâncias magnéticas seriadas, exigindo intervenção imediata para evitar a piora clínica do paciente.
Fatores intrínsecos ao paciente também são determinantes absolutos para a escolha desta via terapêutica. A radiocirurgia é fortemente indicada para pacientes idosos ou para aqueles com comorbidades clínicas severas, nos quais os riscos inerentes a uma craniotomia aberta e à anestesia geral prolongada seriam proibitivos. Outro cenário clínico de grande relevância é o de pacientes portadores de Neurofibromatose tipo 2 (NF2) com tumores bilaterais. Nesses casos, onde a perda da audição bilateral é uma ameaça iminente, a radiocirurgia é utilizada estrategicamente para tentar estabilizar a lesão e adiar ou evitar o trauma de múltiplas cirurgias abertas.
Por fim, a radiocirurgia desempenha um papel fundamental como terapia adjuvante ou de resgate em cenários pós-operatórios. Na microcirurgia moderna, é comum a adoção da ressecção subtotal intencional — deixando um pequeno fragmento da cápsula tumoral aderida ao nervo facial para evitar a paralisia facial definitiva. A radiocirurgia é então indicada para irradiar esse volume residual, garantindo o controle da doença. Da mesma forma, nos casos de recidiva tumoral comprovada após uma cirurgia prévia, o tratamento radiocirúrgico oferece uma alternativa excelente e segura, contornando a morbidade e os desafios técnicos de uma reoperação em uma área já manipulada.