Eficácia no Controle Tumoral e Indicações Primárias A radiocirurgia estereotáxica (SRS) consolidou-se como o tratamento padrão-ouro para meningiomas de pequeno a médio porte (geralmente < 3 cm) e para tumores localizados em áreas de difícil acesso cirúrgico, como o seio cavernoso e a base do crânio. As evidências de grandes coortes retrospectivas e revisões sistemáticas demonstram taxas de controle tumoral extremamente altas para meningiomas benignos (Grau 1 da OMS), variando entre 90% e 98% em 5 a 10 anos. Estudos comparativos indicam que, para tumores assintomáticos ou pouco sintomáticos selecionados, a SRS oferece controle equiparável à microcirurgia, porém com significativamente menor morbidade e menor tempo de recuperação, sendo recomendada como primeira linha nessas situações pelas diretrizes da European Association of Neuro-Oncology (EANO).
Meningiomas Atípicos e Anaplásicos (Graus 2 e 3) Para meningiomas de alto grau (Graus 2 e 3 da OMS), as evidências indicam um cenário mais desafiador. Embora a radiocirurgia seja eficaz, as taxas de controle livre de progressão são inferiores às dos tumores benignos, situando-se frequentemente entre 30% e 60% em 5 anos para meningiomas atípicos recorrentes. O consenso atual, apoiado por estudos multicêntricos, sugere que a SRS isolada pode ser insuficiente para tumores maiores ou agressivos de alto grau, sendo frequentemente utilizada em um contexto multimodal — como terapia adjuvante após ressecção cirúrgica ou para tratar focos de recidiva local. A tendência recente aponta para o uso de doses marginais mais elevadas ou fracionamento da dose (radioterapia estereotáxica fracionada) para melhorar o controle local nesses subtipos histológicos.
Segurança e Perfil de Toxicidade A literatura científica ratifica o perfil de segurança favorável da radiocirurgia, com taxas de complicações graves relativamente baixas, tipicamente inferiores a 5-10%. O principal evento adverso observado é o edema peritumoral sintomático, que pode ocorrer meses após o tratamento, mas que é geralmente transitório e manejável com corticosteroides. A preservação da função dos nervos cranianos (como a visão e a audição) é um ponto forte da SRS moderna em comparação à cirurgia aberta, especialmente em tumores da base do crânio. Diretrizes recentes (como as do Congress of Neurological Surgeons) enfatizam a importância do planejamento dosimétrico rigoroso para manter a dose na via óptica e tronco cerebral abaixo dos limites de tolerância, garantindo a segurança a longo prazo.
Radiocirurgia Adjuvante vs. Observação Existe um corpo robusto de evidências suportando o uso da SRS no manejo de resíduos tumorais após cirurgias parciais (ressecção subtotal). Estudos longitudinais mostram que tratar o resíduo tumoral precocemente com radiocirurgia reduz drasticamente a taxa de recorrência em comparação com a simples observação, onde a progressão do tumor residual é frequente. Atualmente, a estratégia de “cirurgia planejada para redução de volume seguida de radiocirurgia” é amplamente aceita para grandes meningiomas envolvendo estruturas críticas (como seios venosos ou nervos cranianos), permitindo a descompressão cirúrgica segura seguida pela esterilização das margens inoperáveis com radiação focal.