• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Dor na Coluna ou Neurinoma? Conheça os Sinais que Indicam a Necessidade de Radiocirurgia. Julio Pereira Neurocirurgião

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O neurinoma na coluna, também conhecido como schwannoma, é um tumor geralmente benigno que se origina nas células de Schwann, responsáveis pela bainha de mielina que reveste os nervos espinhais. Embora seu crescimento seja lento, a localização dentro do canal vertebral torna-o perigoso, pois ele pode comprimir progressivamente a medula espinhal ou as raízes nervosas. Estatisticamente, esses tumores representam cerca de 25% de todos os tumores intradurais em adultos, ocorrendo com maior frequência em pacientes entre os 30 e 50 anos, e exigem monitoramento constante para evitar danos neurológicos irreversíveis.

Os sinais e sintomas variam conforme a altura da coluna atingida (cervical, torácica ou lombar), mas a dor radicular — que irradia para braços ou pernas seguindo o trajeto do nervo — é o sintoma inicial em mais de 70% dos casos. À medida que o tumor cresce e comprime a medula, o paciente pode apresentar fraqueza muscular, perda de sensibilidade tátil e térmica abaixo da lesão, e, em estágios avançados, disfunção de esfíncteres (dificuldade para controlar urina e fezes). A dor costuma ser descrita como pior à noite ou em repouso, o que serve como um sinal de alerta clínico para diferenciá-la de problemas mecânicos como a hérnia de disco.

No tratamento dessas lesões, a radiocirurgia estereotática (SRS) emergiu como um papel fundamental, especialmente para tumores de difícil acesso cirúrgico ou pacientes com contraindicações para cirurgia aberta. Diferente da radioterapia convencional, a radiocirurgia entrega doses elevadíssimas de radiação de forma milimétrica sobre o neurinoma, preservando o tecido medular saudável ao redor. Dados clínicos mostram que a taxa de controle do tumor com radiocirurgia pode ultrapassar 90%, interrompendo o seu crescimento sem a necessidade de incisões ou internações prolongadas.

A escolha entre a remoção cirúrgica clássica e a radiocirurgia depende de fatores técnicos, como o tamanho do neurinoma e o grau de déficit neurológico presente. Enquanto a cirurgia visa a ressecção total imediata, a radiocirurgia é preferida para recidivas ou para “limpar” remanescentes tumorais após uma operação incompleta. Com o avanço das técnicas de imagem, como a Ressonância Magnética de alta resolução, o diagnóstico precoce permite que essas intervenções sejam realizadas enquanto o tumor ainda é pequeno, garantindo que o paciente mantenha sua funcionalidade motora e qualidade de vida a longo prazo.