O neurinoma na coluna, também conhecido como schwannoma, é um tumor geralmente benigno que se origina nas células de Schwann, responsáveis pela bainha de mielina que reveste os nervos espinhais. Embora seu crescimento seja lento, a localização dentro do canal vertebral torna-o perigoso, pois ele pode comprimir progressivamente a medula espinhal ou as raízes nervosas. Estatisticamente, esses tumores representam cerca de 25% de todos os tumores intradurais em adultos, ocorrendo com maior frequência em pacientes entre os 30 e 50 anos, e exigem monitoramento constante para evitar danos neurológicos irreversíveis.
Os sinais e sintomas variam conforme a altura da coluna atingida (cervical, torácica ou lombar), mas a dor radicular — que irradia para braços ou pernas seguindo o trajeto do nervo — é o sintoma inicial em mais de 70% dos casos. À medida que o tumor cresce e comprime a medula, o paciente pode apresentar fraqueza muscular, perda de sensibilidade tátil e térmica abaixo da lesão, e, em estágios avançados, disfunção de esfíncteres (dificuldade para controlar urina e fezes). A dor costuma ser descrita como pior à noite ou em repouso, o que serve como um sinal de alerta clínico para diferenciá-la de problemas mecânicos como a hérnia de disco.
No tratamento dessas lesões, a radiocirurgia estereotática (SRS) emergiu como um papel fundamental, especialmente para tumores de difícil acesso cirúrgico ou pacientes com contraindicações para cirurgia aberta. Diferente da radioterapia convencional, a radiocirurgia entrega doses elevadíssimas de radiação de forma milimétrica sobre o neurinoma, preservando o tecido medular saudável ao redor. Dados clínicos mostram que a taxa de controle do tumor com radiocirurgia pode ultrapassar 90%, interrompendo o seu crescimento sem a necessidade de incisões ou internações prolongadas.
A escolha entre a remoção cirúrgica clássica e a radiocirurgia depende de fatores técnicos, como o tamanho do neurinoma e o grau de déficit neurológico presente. Enquanto a cirurgia visa a ressecção total imediata, a radiocirurgia é preferida para recidivas ou para “limpar” remanescentes tumorais após uma operação incompleta. Com o avanço das técnicas de imagem, como a Ressonância Magnética de alta resolução, o diagnóstico precoce permite que essas intervenções sejam realizadas enquanto o tumor ainda é pequeno, garantindo que o paciente mantenha sua funcionalidade motora e qualidade de vida a longo prazo.