A radiocirurgia estereotáxica (SRS), realizada com sistemas como Gamma Knife, CyberKnife ou aceleradores lineares dedicados, constitui uma opção consolidada no tratamento de meningiomas, especialmente aqueles de pequeno e médio volume, residual após cirurgia ou localizados em regiões de difícil acesso cirúrgico. O objetivo principal do tratamento é o controle local da lesão, definido como estabilização ou redução do volume tumoral ao longo do tempo, evitando progressão e sintomas neurológicos adicionais. O efeito biológico ocorre de forma gradual, com resposta máxima geralmente observada entre 12 e 36 meses após a aplicação da dose.
O acompanhamento após a radiocirurgia é realizado por meio de ressonância magnética seriada, preferencialmente com contraste. Os intervalos iniciais costumam ser de seis meses no primeiro ano e, posteriormente, anuais, podendo ser ajustados conforme o comportamento da lesão e o grau histológico. É comum observar edema perilesional transitório nos primeiros meses, que não deve ser confundido com progressão tumoral. A interpretação cuidadosa das imagens, comparando volume e padrão de realce, é fundamental para distinguir resposta verdadeira de alterações reativas.
De acordo com a literatura, as taxas de controle local para meningiomas benignos (OMS grau I) tratados por radiocirurgia são elevadas. Séries com seguimento de longo prazo relatam controle em torno de 90 a 95% em cinco anos e de 85 a 92% em dez anos. Em tumores menores que 3 cm e com dose marginal adequada (geralmente 12 a 15 Gy), os resultados tendem a ser ainda melhores. Meningiomas atípicos (grau II) e anaplásicos (grau III) apresentam taxas de controle inferiores, geralmente entre 50 e 75% em cinco anos, exigindo doses mais elevadas e vigilância mais rigorosa.
Esses números reforçam o papel da radiocirurgia como tratamento eficaz e com baixo risco de complicações graves quando bem indicado. O sucesso depende da seleção adequada dos pacientes, do planejamento preciso da dose e do seguimento disciplinado por imagem. Assim, o controle tumoral após radiocirurgia não se limita à estabilização imediata, mas representa um resultado duradouro, sustentado por evidências consistentes na literatura neurocirúrgica e de radio-oncologia.