O câncer de fígado (carcinoma hepatocelular – CHC) é um dos tumores malignos mais agressivos e letais, sendo o terceiro maior causador de morte por câncer no mundo. No Brasil, a maioria dos casos (cerca de 70-80%) surge em fígados já doentes, principalmente por cirrose causada por hepatite B ou C crônica, consumo excessivo de álcool, esteatose hepática não alcoólica (fígado gorduroso associado à obesidade e diabetes) ou aflatoxinas em alimentos contaminados. Outros fatores de risco incluem hemocromatose, doença de Wilson e exposição a toxinas. O tumor cresce silenciosamente por meses ou anos, e a maioria dos pacientes só apresenta sintomas quando a doença já está avançada, o que explica a sobrevida média baixa (6-12 meses sem tratamento) e a importância da vigilância em grupos de risco com ultrassom a cada 6 meses + alfa-fetoproteína (AFP).
Os sinais e sintomas iniciais são inespecíficos e frequentemente atribuídos à própria cirrose ou outras condições comuns: fadiga extrema e fraqueza, perda de apetite, emagrecimento involuntário (caquexia), náuseas, desconforto ou dor abdominal vaga no quadrante superior direito, inchaço abdominal (ascite por hipertensão portal ou tumor grande), icterícia (amarelamento de pele e olhos) e urina escura. Muitos pacientes notam inchaço nas pernas (edema) ou veias dilatadas no abdômen (circulação colateral). Em fases iniciais, o tumor pode ser assintomático, sendo descoberto incidentalmente em exames de rotina ou de rastreio em cirróticos.
Quando o câncer avança, surgem sintomas mais alarmantes: dor abdominal intensa e constante (devido a distensão da cápsula de Glisson ou metástases), febre persistente sem infecção aparente, icterícia progressiva grave, confusão mental ou sonolência (encefalopatia hepática por falência do fígado), sangramento digestivo (vômito com sangue ou fezes escuras por varizes esofágicas rompidas), inchaço rápido do abdômen (ascite hemorrágica) e, em casos de ruptura tumoral, dor abdominal súbita e choque hemorrágico — uma emergência cirúrgica com alta mortalidade. Metástases pulmonares ou ósseas podem causar tosse, falta de ar ou dores ósseas.
Diante de qualquer combinação desses sinais — especialmente emagrecimento + dor abdominal + icterícia + fadiga extrema em quem tem cirrose, hepatite crônica ou fatores de risco —, procure um hepatologista, gastroenterologista ou oncologista imediatamente. O diagnóstico precoce permite tratamentos curativos como ressecção cirúrgica, transplante hepático, ablação por radiofrequência ou quimioembolização, com taxas de sobrevida de 5 anos acima de 70% em estágios iniciais. Faça check-ups regulares se você tem cirrose ou hepatite: ultrassom semestral pode detectar o tumor pequeno e operável. Não ignore o cansaço persistente ou inchaço — o câncer de fígado não avisa com antecedência, mas os sinais estão aí para quem sabe observar..